Esgrima em Cadeira de Rodas: Um toque de classe
Quando se refere a modalidade no Brasil, o Paraná é referência |
| A esgrima é um esporte pouco conhecido, porém de muita classe - Foto: Pedro Saraiva |
A
esgrima em cadeira de rodas surgiu em 1953, sendo introduzida no programa
paraolímpico desde a primeira edição, em Roma no ano de 1960. Em Curitiba, temos
alguns nomes de peso na modalidade. Um desses exemplos é Sandro Colaço, atleta
da ADFP (Associação de deficientes físicos do Paraná), que pratica o esporte
desde o ano de 2010.
A
principal diferença entre a modalidade paraolímpica e a convencional é que a
primeira é disputada sentada e a segunda em pé. A esgrima em cadeira de rodas é
dividida em classes quanto ao seu nível de deficiência motora, da classe 1A até
a classe 4. Uma das maiores diferenças é a presença de um suporte metálico para
cada cadeira de rodas, evitando assim que elas se movimentem. Essa plataforma
possui 4 metros de comprimento por 1,5 metros de largura. São usadas 3 armas
diferentes, sendo elas: Florete, espada e sabre.
Colaço contou um pouco das diferenças existentes em
cada uma das armas. No florete, o toque se dá pela ponta. Tanto no olímpico
quanto no paraolímpico a ponta tem que acertar a região do tronco para acender
o ponto luminoso, enquanto o colete usado é um metálico com circuito elétrico. No
sabre, todo o corpo conta como zona de toque e não só a ponta, mas a própria
lamina conta para efetuar um toque. Na espada, os pontos são contados tocando
qualquer região válida. Enquanto no convencional o corpo inteiro é válido, na esgrima em
cadeira de rodas, é válido apenas da cintura para cima. Essa é a especialidade do Paraná,
sendo referência em treinamento de espada e a principal equipe da arma
no Brasil, tanto no paraolímpico quanto no olímpico.
Existe
um paradigma que muitos acreditam, de que a esgrima seria um esporte apenas para
ricos. "Ele é um esporte para todos, inclusive para deficientes que é o
objetivo do nosso trabalho, dar oportunidade para as pessoas praticarem o
esporte”, destaca o atleta.
O
custo de equipamentos que a modalidade exige é alto. Quando o atleta tem
interesse em começar, ele ganha um kit, entretanto, para ir para competições
internacionais, esses equipamentos precisam ter uma espécie de selo, tanto nas
roupas quanto nas lâminas usadas. Esses equipamentos com o selo possuem uma
segurança maior, por exemplo, quando acontece da lâmina quebrar, ela nunca
gerará uma ponta. A cadeira utilizada pelos atletas custa em torno de 4.500
reais.
Colaço
destaca a importância que o esporte passa sobre o respeito: "Na esgrima a
gente prega muito isso, o respeito”. Os cartões funcionam da seguinte maneira:
O amarelo é usado como sinal de advertência, quando recebe dois amarelos,
automaticamente ganha um vermelho e o adversário marca um ponto. Existe também
o preto, que é difícil de ser visto, sendo utilizados para desacatos e falta de
respeito.
No
esporte existe uma prática indispensável do cumprimento. "Quando vamos
começar uma aula, primeira coisa que fazemos é cumprimentar o mestre e quem
está nos assistindo” ressalta Colaço sobre o assunto. No combate funciona da
mesma maneira. Com a máscara levantada é cumprimentado o adversário, árbitro e
todos que estão assistindo.
Uma
parte difícil para os atletas é que dependem de um apoio financeiro. Muitas
vezes o governo não consegue oferecer esse apoio então é necessário recorrer
para as áreas privadas de patrocínio. O atleta termina contando que a maior
parte do público são familiares ou pessoas da área, sendo esse um fenômeno
comum tanto no paraolímpico quanto no olímpico.
Garante ainda que as vezes o que falta é a pessoa conhecer e ter um
interesse maior. “A gente precisa de trabalho como de vocês, de divulgar nossa
marca, de estar nos apoiando e levar o conhecimento para as pessoas” conclui o
mesmo.
Para saber mais sobre a Esgrima em cadeira de rodas, clique aqui
Confira nossa entrevista com o esgrimista:
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